terça-feira, 27 de janeiro de 2009


Pato é na verdade um prato sofisticado, mas muito simples de fazer. Tem um gosto marcante, mais forte que o frango, e normalmente vai muito bem com frutas e receitas agridoces. Esse que preparei recentemente, na verdade foi de sopetão, durante uma estada na praia na última semana. Tínhamos dois pedaços de peito de pato e resolvi assumir o fogão.

Primeira coisa é escolher bem o pato ou o pedaço que você for preparar. Dê sempre preferência pelos orgânicos ou caipiras, se você tiver essa oportunidade. Temperei bem com sal, azeite extra virgem e pimenta do reino. Depois coloquei vinho do porto, uma taca pequena em cada peito, e por cima derreti um sorvete de amora do “Rochinha”, tradicional marca de sorvetes naturais do litoral norte paulista. É claro que podemos utilizar amoras naturais, mas esse tipo de coisa não é muito comum na praia. Por cima, aproveitei uma deliciosa geléia de jabuticaba, que minha irmã preparou com frutas de uma arvore transportada, de forma ilegal, entre uma antiga casa da família e sua nova residência.

Deixei por uma hora na geladeira para o pato pegar todo o sabor e, para isso, fiz alguns pequenos furos em sua pele usando a ponta de uma faca afiada. Depois foi só picar pêssegos frescos em volta, para manter a umidade, e colocar no forno por uma cerca de 40 minutos. Na foto acima nosso prato antes de receber as frutas e entrar no fogão!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Aspargos Verdes com Frutos do Mar


Essa receita é uma adaptação de uma do Jamie Oliver, um dos chefs que eu mais considero, por saber adaptar a gastronomia a algo moderno.

Em 2006, quando fui para a Copa do Mundo da Alemanha ainda não curtia Aspargo, não sei pq sempre foi algo que não me agradou muito. Porém, bem na época da Copa, era também a época dos Aspargos, principalmente na região de Munique, na Baviera. Os restaurantes anunciavam orgulhosamente a chegada desse broto e faziam de tudo com ele, da entrada ao prato principal.

Como acabo de voltar da praia, de uma temporada de muito chopp e mar, nada melhor do que unir Munique a São Sebastião e preparar Aspargos Verdes com Frutos do Mar.

Esse prato pode ser facilmente adaptado e é muito fácil de fazer. Basta na verdade bons ingredientes e um bom peixeiro, que você não terá praticamente nenhum trabalho.

Para preparar essa versão escolhi na peixaria um belo Saint Peter e pedi para o peixeiro preparar dois filets deixando a pele. Depois escolhi três lulas grandes e frescas que ele limpou bem e incluiu os tentáculos na embalagem. Você pode juntar a receita camarão médio ou mesmo vieiras, dependendo da época (apenas respeite sempre o tempo de cozimento de cada fruto do mar).

Cozinhe os aspargos verdes por aproximadamente 10 minutos em água fervendo. Quando eles estiverem “Al dente”, retire e separe. Em uma frigideira grande, coloque uma generosa porção de azeite de oliva extra virgem e uma rama de erva para aromatizar. Normalmente uso orégano fresco, manjerona, salvia ou alecrim.

Prepare a Lula abrindo-a pelo lado e passando a faca na parte de dentro de forma bem suave em linhas formando pequenos quadrados na sua carne. Coloque na frigideira já quente o peixe com a pele para baixo. Neste momento é importante não ficar mexendo no peixe, deixe ele cozinhar ate a carne nas bordas apresentar aparência de cozido. Coloque na frigideira os tentáculos e em seguida as lulas. Deixe fritar. A lula logo se enrola, basta girar para homogeneizar o cozimento.

Vire o peixe e deixe cozinhar rapidamente por baixo. Esse processo todo deve demorar em media apenas 3 minutos, da colocação dos ingredientes na frigideira ate o final do processo. Quando estiver quase pronto coloque os aspargos na frigideira apenas para dorar e está pronto.

Como digo, não sou ligado a combinações de vinhos com pratos, tome o que quiser junto. Eu tomaria um bom vinho branco bem gelado.

Uma porção serve duas pessoas muito bem e demora menos de 10 minutos para ser feita. Custo médio: 30 reais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Coelho na praia



Há tempos eu estava afim de fazer uma carne que comi na Itália, mas como nem todo mundo gosta da idéia de comer um coelho tive que aguardar um público certo.

Outro dia na praia, casa dos meus pais, resolvi colocar a mão na massa. A carne de coelho fica muito boa na brasa, principalmente em churrasqueiras pequenas com um braseiro bem feito e rente a grelha.

Para temperar, a melhor coisa é marinar num vinho branco e sal. Faca também a parte uma pasta com tomilho fresco, alho torrado picado e azeite. Leve o coelho ao fogo e vá passando a pasta de tempos em tempos, não deixando nunca o fogo acender, mantenha apenas um bom braseiro.

Tome cuidado com o tempo de cozimento para não secar a carne, normalmente meia hora para a costela e peito é suficiente, e vinte minutos para as patas. O ideal é comprar um coelho fresco, sendo assim os miúdos também são uma boa iguaria, apreciada pelos italianos.

Na foto, a minha experiência na praia, aparece também uma bela costela de porco, que falarei aqui em breve.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Pimenta na veia

Uma coisa que sempre tive muita vontade de gostar e com o tempo aprendi é o pimentão vermelho italiano. Aquele que sempre é servido como antepasto nas cantinas. O italiano gosta muito de pimentão vermelho, sobre esse assunto eu posso falar, pois além de ser um deles, vivo parte do meu tempo por lá.

Há duas formas de se preparar, mas vou falar da mais simples. Pegue dois pimentões grandes, abra no meio e retire todas as sementes e todas as partes brancas. Isso garante o sabor e também a textura final. Com a ajuda de uma faca bem afiada, corte em tiras compridas de mais ou menos meio centímetro.

É importante utilizar uma frigideira bem grande. Aquelas de fazer paella são ideais! Jogue uma boa quantidade de azeite de oliva extra virgem e deixe aquecer um pouco. Jogue o pimentão cortado com o azeite morno, para evitar queimar a pele e deixar marcas pretas. Va mexendo bem e jogando de um lado para o outro. Sem pressa, pois demora para ele ficar bem macio e assimilar o azeite, por isso mantenha o fogo médio.

Quando estiver na textura ideal, abaixe bem o fogo e jogue uma cabeça de alho amassada, apenas misture gentilmente e apague o fogo. Guarde em um vidro fechado, com um pouco mais de azeite, por dois dias e está pronto!

sábado, 17 de maio de 2008

Punheta Portuguesa

A punheta portuguesa quem já experimentou não esquece. Hoje vi o Programa do Jô uma entrevista com o Roberto Leal, e citaram um prato Português que é constante piada entre os brasileiros que visitam nossa pátria mãe.

A punheta é um prato feito com bacalhau cru desfiado curtido com cebola e azeite de oliva. Provei pela primeira vez em Lisboa, num restaurante situado na nova zona do cais, reformada para receber a EXPO. Essa região foi por muito tempo um lugar sombrio e desprezado, porem com as reformas, passou a ser um grande “point” na capital lusa e um bom exemplo para cidades como Rio de Janeiro e Santos.

Como bem lembrou Roberto Leal, a punheta fica ótima com grelos, mas isso fica para uma próxima vez!

Ingredientes:
2 postas de lombo de bacalhau
1 cebola média
azeite
vinagre
agrião
azeitonas

Preparação:Desfiar duas postas do lombo do bacalhau devidamente demolhadas, lavar bem com água fria e estender numa travessa. Cortar em palitos uma cebola média. Misturar e regar com azeite e umas pingas de vinagre. Servir frio acompanhado de salada de agrião, broa e azeitonas.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Feijoada sempre é completa

Feijoada é um prato comunitário, já nasceu assim na época dos escravos e assim continua até hoje. É muito difícil alguém comer feijoada sozinho, ou requentou do dia anterior, ou é um gringo fanático que come aquelas porcarias que vendem em lata.

Fazer feijoada é um ritual muito bom. Da um grande trabalho para uma única pessoa no dia anterior, mas normalmente rende muitos elogios no dia da festa, ao menos quando alguém que fez apenas o molho de pimenta resolve roubar os méritos.

Sou contra aqueles que aproveitam a chegada de um gringo indefeso ao Brasil e levam o cara para se esbaldar numa feijoada com litros de pinga e limão, como já descrevi em um dos posts anteriores, mas confesso que normalmente da bom resultado. Feijoada é algo que fascina os incautos gringos.

Outra característica engraçada da feijoada e que apesar de ser um prato extremamente cheiroso, seu preparo é bastante fedido. Enquanto tudo não é misturado, o cheiro não é muito convidativo não. Deve ser por isso que o trabalho sujo fica pra o dia anterior!

Segue abaixo uma boa receita de feijoada, preparada por minha mãe. Apesar de estar longe das origens negras brasileiras, é sem duvida uma das melhores que já provei.

Feijoada COMPLETA

Para 10 pessoas

Ingredientes:
500 g de carne seca bovina
250 g de costela de porco salgada
250 g de costela de porco defumada
400 g de lombo de porco salgado
200 g de paio
500 g de lingüiça portuguesa
200 g de língua de boi defumada
50 g de pé de porco salgado (para dar gosto)
50 g de orelha de porco salgada (para dar gosto)
50 g de rabo de porco salgado (para dar gosto)
1,5 kg a 2 kg de feijão preto( novo)
300 g de cebola picada (para o tempero do feijão)
150 g de alho picado (para o tempero do feijão)
6 folhas de louro (para o tempero do feijão)

200 grs de bacon bem picadinho

Modo de fazer:
Coloque o feijão de molho durante 10 horas.
Limpe bem as carnes salgadas e tire o excesso de gorduras e nervuras, colocando-as de molho em água por 24 horas.
Troque essa água de três a quatro vezes durante este período. Cubra as carnes com agua e deixe ferver - costelas, carne seca e a língua defumada - em peças inteiras.
Jogue a água fora.
Lave as carnes e coloque nova agua e ferva novamente.
Jogue a água fora e as coloque para cozinhar, em água nova e com o feijão com a sua água.
Junte as folhas de louro.
Após mais meia hora, comece a testar o grau de cozimento das carnes com o garfo, pois nem todas chegam ao grau de maciez ao mesmo tempo, retirando e reservando as que já estiverem no ponto.

Em uma frigideira, frite o bacon bem fritinho e divida a banha em três porções ( um pouco pro tempero do arroz, um pouco pro tempero da feijoada e o restante da banha e do torresminho guarda pra temperar a couve).
Em uma frigideira doure bem a cebola e o alho em uma porção da banha previamente aquecida, e coloque uma concha do feijão com seu caldo. Misture bem, deixe cozinhar por aproximadamente 1 minuto, colocando na panela do feijão. Corte as carnes em pedaços pequenos para servir, voltando para a panela com o feijão e cozinhando por mais 15 a 20 minutos em fogo brando, para apurar o feijão. Se preferir retire o pé a orelha e o rabo. Se necessário corrija o sal neste momento.

Sirva com arroz branco, farinha de mandioca torrada e couve bem fininha refogada em alho, molho de pimenta.

Couve refogada
(10 pessoas)
Ingredientes
3 maços de couve
6 colheres de banha do bacon ou azeite
Bacon picadinho e fritinho
6 dentes de alho
sal à gosto

Modo de preparo
Retirar os talos das folhas até a sua metade, lavar as folhas secá-las, enrolar de quatro a cinco folhas juntas, e picá-las bem fininho.).
Aquecer uma frigideira com a banha ou bom azeite, junte o alho bem picadinho e frite, junte o. bacon e a couve na frigideira, e tempere com um pouco de pimenta do reino,(para quem gosta), remexa a couve na frigideira até murchá-la só um pouco, salgue a gosto e estará pronta a couve.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Sashimi de água quente

A coisa mais importante em um bom sashimi é ter um peixe bem fresco para prepará-lo. Pode parecer chocante à primeira vista a foto, mas é exatamente assim que se encontra um bom peixe. Na cooperativa de pescadores. Esse que mostro pra vocês foi pescado poucas horas antes de estar ai sendo limpo, trata-se de um xarelete.

É bem mais comum encontrarmos em restaurantes japoneses peixes de água fria, como o Salmão. Apesar de bastante saborosos, eles chegam ao Brasil congelado, pescados no Chile. Tenho preferido optar pelos de água quente, pescados no nosso litoral, mas para isso é preciso estar pronto para experimentar.

Boas dicas para quem viaja ao litoral paulista são, além do xarelete, o olho-de-boi e mesmo a tainha. Além é claro dos pequenos atuns que podem ser encontrados por aqui.
Para preparar é muito fácil. Peça ao peixeiro que corte os filés para você. Depois limpe bem quando chegar em casa e só aproveite a parte com carne bem limpa. Corte no formato que mais te agradar, para mim um pouco grosso é o ideal. Para isso, use uma faca fina bem afiada e corte cada pedaço de uma vez só, evite fazer o movimento de vai-e-vem. Prepare um pouco de shoyu e wasabi a gosto e sirva!